Oposição no Ceará desenha cenário eleitoral mais competitivo em 15 anos; entenda

Ao comandar o União Brasil no Ceará, o deputado Capitão Wagner ganha força na disputa pelo Governo do Ceará
Ao comandar o União Brasil no Ceará, o deputado Capitão Wagner ganha força na disputa pelo Governo do Ceará

O anúncio do deputado federal Capitão Wagner como o comandante do União Brasil no Ceará desenha um dos cenários mais competitivos para a oposição em mais de 15 anos no Estado. Com um discurso de “frente ampla da oposição”, o parlamentar pretende aglutinar apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e de outros nomes da direita, como o ex-ministro Sergio Moro (Podemos).

Maior partido do País, União Brasil será comandado por Capitão Wagner no Ceará

Wagner vai liderar o partido com a maior bancada na Câmara, isso representa a maior fatia de uma única sigla no tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita nas TVs e rádios. O partido receberá ainda a maior parcela de recursos públicos para financiamento de campanha.

“Talvez seja a oposição com mais poder de competitividade nas últimas quatro ou cinco eleições (…) Ele (Wagner) vai enfrentar um grupo governista em desgaste. A gestão Camilo (Santana) é bem avaliada, mas a gestão faz parte de um grupo político que vive desgastes. É o que chamamos na Ciência Política de ‘fadiga de poder’, porque são 16 anos já no comando do Estado”

CLEYTON MONTE
Cientista político, professor universitário e pesquisador do Lepem/UFC

ACORDOS PARA SOMAR

Tratando de alianças, o cenário pode ser ainda mais favorável ao pré-candidato oposicionista, caso receba apoio do PL. A sigla, comanda no Ceará por Acilon Gonçalves (PL), que já anunciou apoio a Bolsonaro, tem a terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, o que equivale ao terceiro maior tempo de propaganda eleitoral entre os partidos. Caso consiga consolidar a aliança, Capitão Wagner terá efetivamente o maior espaço nas televisões e rádios dos cearenses durante a campanha.

Desde que Bolsonaro se filiou à sigla, começou uma queda de braço no diretório estadual do PL, comandado por aliados do grupo governista. No entanto, diante da pressão de ser destituído do comando da sigla, Acilon disse que fecharia apoio ao presidente. O partido também está recebendo os aliados mais próximos de Bolsonaro no Estado, como os deputados André Fernandes e Delegado Cavalcante, além dos pré-candidatos ao legislativo Mayra Pinheiro e Coronel Aginaldo.

Bolsonaro, no entanto, não deve ser o único a apoiar a candidatura de Wagner. Durante o anúncio de que iria presidir o UB, o deputado fez acenos a todos os candidatos.

FRENTE AMPLA DA OPOSIÇÃO

“Nosso palanque é amplo de oposição, cortando o Estado do Ceará. Todo apoio que vier, a nível nacional, será bem-vindo. Havia uma dúvida de que ‘o Capitão vai estar com o candidato A, com Moro, com Bolsonaro’. A nível estadual, nosso palanque vai permitir, por exemplo, se o MDB vier, que peça voto para o candidato deles à presidência; se o Podemos, já confirmado que vai pedir voto para Moro, vai pedir tranquilamente; se o PL for pedir voto para Bolsonaro, será muito bem recebido. Não teremos radicalismo para dizer que o candidato do bloco é Y”, concluiu Wagner.

Um dos nomes que devem apoiar a candidatura de Wagner, inclusive, é o senador Eduardo Girão (Podemos), correligionário de Moro.

Fonte: DN

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