Inflação já acumula alta de 8,3% nos últimos 12 meses

O IPCA é o indicador oficial de inflação do país. A variação veio em nível abaixo do esperado pelo mercado. Mesmo com a desaceleração em junho, o IPCA chegou a 8,35% no acumulado de 12 meses.

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Ou seja, ampliou a distância em relação ao teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). No acumulado até maio, a variação estava em 8,06%. Em 2021, o teto da meta de inflação em 12 meses é de 5,25%. O centro é de 3,75%. O resultado de junho (0,53%) é o maior para o mês desde 2018 (1,26%). À época, o Brasil vivia os reflexos da greve dos caminhoneiros.

A variação em 12 meses (8,35%) é a mais robusta desde setembro de 2016 (8,48%), quando o país passava por recessão.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em junho, conforme o IBGE. O maior impacto (0,17 ponto percentual) foi de habitação. O grupo subiu 1,1%, principalmente por causa da energia elétrica (1,95%). Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (5,37%), a conta de luz teve o maior peso individual no índice de junho (0,09 p.p.). O segundo impacto individual foi da gasolina (0,04 p.p.). O combustível avançou 0,69% em junho, após alta de 2,87% em maio.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169). Os preços, porém, desaceleraram em junho devido aos diversos reajustes captados em maio nas áreas pesquisadas. Em junho, tivemos apenas o reajuste médio de 8,97%, em Curitiba, no fim do mês”, afirma André Filipe Guedes Almeida, analista da pesquisa do IBGE.

Conforme Almeida, não foi possível observar efeito da demanda aquecida sobre os preços. “Quando a gente fala de demanda, geralmente olha para inflação de serviços, que ainda está abaixo do índice geral. Não dá para afirmar categoricamente que temos uma inflação de demanda. É óbvio que a retomada da economia e a melhora no contexto da pandemia podem influenciar [nos próximos meses]”, relatou.

Almeida reforçou que os preços administrados têm provocado o recente aumento da inflação. Esse grupo inclui energia e combustíveis. Em 12 meses até junho, os administrados subiram 12,99%, conforme o IBGE. Enquanto isso, a cesta de serviços avançou 2,24%.

O IPCA ganhou corpo ao longo da pandemia. Em um primeiro momento, houve disparada de preços de alimentos e, em seguida, avanço de combustíveis. Alta do dólar e avanço das commodities ajudam a explicar o comportamento dos preços. Não bastasse essa combinação, a crise hídrica também passou a ameaçar o controle da inflação. É que a escassez de chuva eleva os custos de geração de energia elétrica no país. O reflexo é a conta de luz mais cara nos lares brasileiros.

Além de pesar no orçamento das famílias, a alta nas tarifas de energia também eleva os custos de operação de empresas, que podem repassar parte do impacto para os produtos finais. A situação ocorre no momento em que o consumo é desafiado pelo desemprego em nível recorde no Brasil. A variação mensal do IPCA ficou abaixo das projeções do mercado em junho, mas o indicador tende a acelerar novamente na largada do segundo semestre, projetam analistas. É que, nesta semana, a Petrobras já confirmou aumentos em gasolina, óleo diesel e gás de cozinha. Além disso, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) promoveu novo reajuste nas contas de luz, válido a partir de julho.

Dólar
Outra ameaça aos preços vem da recente escalada do dólar. A moeda americana ontem chegou a encostar em R$ 5,31.”Houve um alívio no IPCA em junho, mas isso deve evaporar ali na frente. Vale lembrar que o câmbio bateu R$ 5,30. Se o real continuar perdendo força, vai reforçar uma percepção pior para a inflação”, frisa André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Diante do quadro, analistas têm revisado projeções para o acumulado ao final de 2021. A estimativa do Itaú Unibanco, por exemplo, passou de 5,6% para 6,1%, acima do teto da meta. A atualização foi confirmada em relatório divulgado pela instituição ontem.

Júlia Passabom, economista do Itaú Unibanco, sublinha que a conta de luz e os combustíveis mais caros tendem a pressionar o resultado de julho. Segundo ela, o IPCA deve variar na faixa de 0,80% neste mês. Entretanto, ao longo do semestre, há possibilidade de trégua nos preços de commodities, com a normalização de cadeias produtivas, aponta a analista. Assim, o IPCA perderia força no acumulado do ano, mas sem retornar para o intervalo dentro da meta.

Juros
Conforme a edição mais recente do boletim Focus, divulgada pelo BC (Banco Central) na segunda-feira (5), analistas do mercado financeiro projetam IPCA de 6,07% ao final de 2021. A previsão da semana anterior era de 5,97%. Foi a 13ª alta seguida. A inflação acima da meta acaba pressionando o BC, que aumentou a taxa básica de juros, a Selic. Em junho, o Copom confirmou elevação de 0,75 ponto percentual na Selic. (Folha Press)

Fonte: https://oestadoce.com.br/

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