Polícia

Incêndios em casas ligadas a político têm indícios de crime

O titular da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, afirmou nessa terça-feira (12) ver indícios de crime no incêndio que atingiu casas do presidente eleito do União Brasil, advogado Antônio Rueda, e da irmã dele, Maria Emília Rueda, tesoureira do partido. “Há indícios mais do que suficientes de que o incêndio seria criminoso porque aconteceu em duas casas. Suspeita não temos. Só vamos ter retorno sobre a autoria quando o inquérito for concluído.”

Ainda de acordo com o secretário, a Polícia pernambucana já colheu depoimentos e uma perícia foi realizada ontem, com duração de mais de seis horas. O laudo deve ser entregue em até dez dias aos investigadores. Imagens de câmeras de segurança foram coletadas e serão analisadas. O caso é tratado como prioridade em razão da repercussão política, segundo Carvalho, e “para que nenhuma prova técnica seja perdida”.

Relatórios do Corpo de Bombeiros, aos quais a reportagem teve acesso, indicam que o fogo, ocorrido na noite de segunda (11), destruiu diversos móveis das casas, na praia de Toquinho, no litoral sul do Estado. Antônio Rueda e Emília Rueda constam no boletim de ocorrência como vítimas.

De acordo com relatório interno do Corpo de Bombeiros, o incêndio atingiu, em um dos imóveis, duas portas de vidro, uma mesa, três equipamento de ar-condicionado, sofás, adega, cama de casal, forro de gesso, paredes, luminárias da sala e tomadas elétricas da parte inferior. Em outro imóvel, foram danificados dois sofás, duas cadeiras, três almofadas, dois ares condicionados, um centro, luminárias e tomadas da parte inferior, forro de gesso, piso e paredes.

Os bombeiros apontam a sala dos imóveis como “o local presumido da origem do incêndio”. A área total atingida é de 30 metros quadrados. Os imóveis têm revestimento estrutural de alvenaria.
O advogado, presidente eleito do União, estava nos Estados Unidos, de acordo com integrantes do partido, e antecipou retorno ao Brasil para essa terça-feira após ter conhecimento do caso. O atual presidente da legenda, Luciano Bivar, ex-aliado de primeira hora de Rueda, negou envolvimento no incêndio.

O União Brasil atravessa há meses uma série de brigas internas que opõem Bivar e o grupo de Rueda, do qual também faz parte o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Ontem, os deputados federais Fernando Filho e Mendonça Filho, rompidos politicamente com Bivar, enviaram ofício à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), pedindo rigor e celeridade nas investigações.

A nota enviada à imprensa pelos dois parlamentares diz que os incêndios têm “características de ação criminosa” e pede que “os executores e os mandantes sejam punidos”. Também em nota, Rueda afirmou que ele e a irmã pediram à Polícia Civil “célere e rigorosa investigação dos fatos” e disse que “não descarta a possibilidade de um atentado motivado por questões político-partidárias”, embora não tenha dado mais detalhes. Disseram ainda que “confiam na minuciosa apuração dos fatos e afirmam que não irão se intimidar diante de qualquer ameaça”.

Rueda, vice-presidente do União, foi eleito no final do mês passado pelos correligionários para comandar a sigla a partir de junho. O atual presidente, Luciano Bivar, porém, afirma que a convenção não teve validade e contesta o resultado. O futuro presidente tem amplo apoio no partido.
Também defendem a troca de Bivar por Rueda nomes de peso na legenda, como o senador Davi Alcolumbre (AP) e os ministros do Turismo, Celso Sabino, e das Comunicações, Juscelino Filho. Bivar, por sua vez, chamou a convenção que elegeu Rueda de ilegítima e clandestina e falou em questioná-la na Justiça.

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