Brasil registra aumento de 661 mil profissionais autônomos

Com o crescimento do número de desempregados no país e a baixa demanda de vagas de emprego, muitos profissionais que estão fora do mercado de trabalho decidiram migrar para o serviço por conta própria. Em um ano, o país observou uma transição de 661 mil pessoas para esta força de ofício alternativa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa mudança de ocupação influenciou na contenção do número de indivíduos em busca de emprego no país.

Somente entre os meses de fevereiro e abril deste ano, o Brasil notou o crescimento de 2,8% no número de pessoas por conta própria, totalizando 24,04 milhões neste momento. No mesmo período de 2020, o país contabilizava 23,38 milhões de indivíduos ocupados de maneira autônoma. Em relação ao número de empregados, a população ocupada em alguma força de trabalho caiu 3,7%, chegando a 85,94 milhões.
Em análise sobre a elevação do número de pessoas trabalhando de forma autônoma, a gerente da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, afirma que “essa forma de inserção no mercado [autônoma] tem um contingente mais elevado agora do que em abril de 2020. Observamos uma reação maior no trabalho por conta própria do que no emprego com carteira no setor privado”.

Transição
Com o decrescente número de empregados nos últimos anos, muitas pessoas demitidas decidiram abrir suas próprias empresas para tentar manter suas rendas após a desligação de seus empregos. Dentre elas, está o autônomo Bruno Lima, que depois da demissão do seu antigo posto, em que trabalhava como promotor de vendas, resolveu usar o dinheiro recebido para investir em uma tenda de veículos em parceria com seu pai e um amigo, no bairro Conjunto Ceará.

“Foi um período complicado no começo, a gente vê mais dinheiro saindo do que entrando, mas aos poucos as coisas iam se acertando e esse investimento começou a gerar lucro para nós. Até hoje, estou somente por conta própria e não penso em voltar a trabalhar de carteira assinada, ser autônomo tem me rendido mais dinheiro e mais tempo”, afirma Lima.

Acerca dos benefícios de trabalhar por conta própria, o vendedor autônomo comenta que a função tem trago bons frutos e que foi uma oportunidade dele se especificar em uma área que já gostava e vinha esperando um tempo para tentar realizar essa transição. “Pensei muito, porque era um investimento de risco, eu poderia ter ou não sucesso fazendo isso, principalmente, porque não é uma loja física e sim um espaço no bairro. Mas, aos poucos os clientes foram chegando e a partir disso os benefícios foram bem maiores do que os malefícios”, finalizou o vendedor.

Divisão
Os profissionais autônomos são divididos em dois grupos: com ou sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). A totalidade de pessoas com registro formal cresceu entre fevereiro e abril deste ano. Em relação com o mesmo período do ano passado a elevação foi de 5,9%, chegando a 5,84 milhões de trabalhadores nesta situação. Enquanto isso, a quantidade de autônomos sem CNPJ, subiu 1,9% e continua sendo a parcela mais populosa com 18,19 milhões de pessoas.
Para alguns especialistas, o crescimento dessa população está ligada com os impactos da crise financeira, influenciada pela pandemia, e pela elevação do desemprego.

Fonte: https://oestadoce.com.br/

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