Arroz e feijão: inflação e desemprego afetam os preços

Se tem alimento que brasileiro gosta é do velho e bom arroz com feijão, presente na maioria dos lares. Uma combinação perfeita para muitas mesas. Mas o fato é que com a pandemia do novo coronavírus e a alta da inflação, nem o arroz e o feijão escaparam da oscilação dos preços. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) calculou que o aumento de arroz e feijão foi de 61% em um ano, com dados até o primeiro trimestre do ano. Aliada ao desemprego, a combinação de alta dos preços e queda da renda mudou o cardápio dos brasileiros mais pobres, que se veem obrigados a optar por produtos mais baratos.

Além da redução do valor do auxílio emergencial, a taxa de desemprego atingiu 14,7%. Para a dona de casa Vera Pereira, do bairro Montese, em Fortaleza, a situação tem sido difícil: “Há pouco tempo era possível ir ao supermercado e comprar bem mais produtos. Hoje, não dá para encher o carrinho. Poucos produtos já custam um valor que ultrapassa o orçamento familiar e é lógico que isso interfere na mesa de todos nós”, avalia.
Outro produto que despencou o consumo foi a carne, que caiu 7% segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Na contramão, o consumo de suínos, aves e ovos cresceu, com 5,5%, 6,5% e 9,1%, respectivamente.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a oscilação dos preços é sentida de forma mais acentuada na classe mais pobre da sociedade. Segundo o Instituto, a faixa da população com renda considerada muito baixa, inferior a R$ 1.650,50 por mês, registrou inflação de 9,24% no acumulado de 12 meses até junho deste ano.

“Observamos que a inflação se enrobusteceu no período da pandemia. Em determinado momento o auxílio emergencial, que chegou a R$ 1.200,00, gerou crescimento de demanda. No mesmo momento produtos como arroz e feijão, assim como a cana de açúcar, milho e petróleo, aumentaram em função do crescimento do câmbio. Assim, algumas empresas deixaram de suprir o mercado interno e passaram a oferecer ao mercado externo. Esse foi um dos fatores que elevou o preço desses alimentos”, explicou o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra.

Cadeia
Aliado a esse contexto, o número baixo de chuvas e a elevação do petróleo também contribuem. “O preço da gasolina impacta na logística de distribuição de produtos, inclusive no próprio transporte do arroz e do feijão. A empresa que faz a colheita desses produtos utiliza a máquina agrícola, que utiliza combustível. A cadeia de ações, desde o transporte desses produtos para outros estados, passando pelo centro de distribuição para, em seguida chegarem às prateleiras dos supermercados, tudo isso gera custos nos quais o petróleo está diretamente ligado e influenciando na cadeia produtiva”, avaliou Coimbra.

Para 2022 as perspectivas ainda são incertas. “Em relação ao combustível vai depender muito do cenário internacional e de o governo se conseguir andar com a reforma tributária. Ambos seriam fatores positivos, mas vai depender da demanda mundial. Já a produção de arroz e feijão vai depender da quadra invernosa da Região Sudeste”, disse.

Fonte: https://oestadoce.com.br/

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